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10- A Cavalaria na Idade Média

Escrito por Leandro Sicorra Wilemberg Published on .

Depois da queda do Império Romano, durante os tempos da “ Cavalaria Andante “, a organização e a tática foram praticamente desconhecidas.

Uma batalha não era senão, um  grande conjunto de combates individuais. Os chefes eram escolhidos entre os que demonstravam maior valor e destreza pessoal nos combates corpo a corpo.

Um dos fatos importantes dessa época é a chegada, em 610 DC, de Mahoma, que sendo um apaixonado por cavalos, difundiu entre os árabes o amor pelo nobre animal. Foi notável o incremento que tomou em todo o Islam o emprego do cavalo em todos os aspectos da vida cotidiana e militar do mundo islâmico.

A invasão da Espanha introduziu no continente europeu os cavalos provenientes da Arábia e da Síria, nos quais tem origem os cavalos de raça ibérica.

O avanço dos mouros, que estavam a ponto de  arrasar toda a Europa, foi detido nas planícies de Poitiers, quando a infantaria franca de Carlos Martel, convertida em uma muralha, desgastou e desmoralizou Abderraman e seus muçulmanos, enquanto a cavalaria visigoda de Miguel de Aquitania os atacava e derrotava pela retaguarda.

A desorganização que grassava nos exércitos islâmicos os fez sofrer várias derrotas frente a exércitos organizados.

A cavalaria visigoda, radicada na Península Ibérica muito antes da invasão muçulmana, foi organizada inicialmente nos moldes da cavalaria romana. Mais tarde seu efetivo foi em muito aumentado e passou a ser organizada em esquadrões de 10.000 cavaleiros, sob o comando dos Thiufados. Os esquadrões eram integrados por unidades menores de 500 homens, a comando dos quingentários, cada qual subdivida em cinco frações de 100 cavaleiros a comando dos centenários, que enquadravam dez frações elementares de 10 cavaleiros a comando de um decano. Mais tarde, os comandantes tomaram as denominações de   duces,  comites ou condes e  vicários.

O Condestável ou conde dos estábulos, era o comandante geral da cavalaria. Parte significativa da cavalaria era composta por arqueiros montados que tinham como armas defensivas um pequeno escudo e uma lança, e como ofensivas, a espada curta e o machado de guerra. A cavalaria visigoda chegou a reunir grandes efetivos, empregando na campanha contra a invasão muçulmana cerca de 40.000 cavaleiros.

No ano de 1050, na região atual da Rússia, a cavalaria eslava foi organizada nos moldes da cavalaria do antigo exército romano. Tinha unidades de 10 homens comandados por um deciatshayl; dez dessas unidades eram comandadas por um centenier e dez grupos de 100 cavaleiros formavam uma divisão, que era comandada por um Tissiatchshy.

Durante a Idade Média a cavalaria atingiu seu máximo desenvolvimento e, por conseguinte, sua importância como arma decisiva no combate. Foi introduzido na cavalaria um cavalo de grande porte, similar aos atuais percherrões, que suportavam o peso do cavaleiro e de sua armadura. O cavaleiro era ajudado por um escudeiro, que conduzia as suas armas e o auxilia a montar antes do combate.

Foi nesta época que se popularizou as justas e os torneios, nos quais os cavaleiros não só se enfrentavam para combater em defesa de sua honra ou na de seu senhor, mas também, como prática desportiva.

Em cada região da Europa haviam diferentes organizações, conforme as suas necessidades ou de acordo com a situação em que se vivia, assim como a idiossincrasia das pessoas comuns  e a dos senhores feudais. Mas a organização da cavalaria que mais se generalizou foi aquela em que a “ lança “ era a unidade básica de emprego, constituída por um cavaleiro, seu escudeiro e tantos arqueiros e criados que pudesse levar. A “ bandeira” era composta por quatro a seis fidalgos,  unidos por laços feudais e ao comando do abandeirado ou cavaleiro mesnadeiro. A “ batalha “ se compunha de um número aproximado entre 50 e 100 cavaleiros de uma mesma linhagem ou de uma mesma região, sob as ordens de seu senhor feudal. Três destas “batalhas “ formavam um exército ou  mesnadas.

A Cavalaria, com estas características, perdeu sua velocidade e capacidade de manobra. Os combates se traduziam em proezas individuais onde não existia uma tática a ser seguida, dependendo unicamente do valor e destreza pessoal dos cavaleiros.

A partir do século XIV passou-se a empregar uma cavalaria mais leve e ligeira, que cumpria missões de reconhecimento e proporcionava segurança durante os deslocamentos e estacionamentos. Esta cavalaria estava constituída pelos “ sargentos “, que eram guerreiros a serviço de um senhor feudal e em algumas ocasiões, a serviço do próprio rei. Este tipo de unidades foi muito empregado durante as Cruzadas.

A cavalaria muçulmana manteve suas características de força leve e ligeira. A força dos sarracenos residia nos seus arqueiros montados, os quais possuíam equipamento aligeirado e seus corcéis eram mais ligeiros e manobráveis que os empregados na Cavalaria dos Cruzados. Sua principal tática era a de hostilizar o inimigo durante sua marcha e envolvê-los durante a batalha. Estas duas missões eram facilmente cumpridas pela velocidade e mobilidade de suas unidades.

Mais tarde, quando os islâmicos invadiram a Península Ibérica, continuaram a empregar táticas similares, que em muitas ocasiões lhes deram a vitória. Em  todos os países europeus continuou a ser empregada a cavalaria pesada. Esta foi a época de ouro das armaduras ricamente trabalhadas ou polidas, utilizadas por cavaleiros e seus cavalos. A potência da cavalaria pesada européia chegou a anular a infantaria, que passou a ter um papel secundário nos combates. Nos choques brutais do combate, a infantaria com seu armamento defensivo inferior, não resistia ao ímpeto e à massa das cargas, vendo-se impossibilitada de conseguir a vitória.

Os cavaleiros usavam para cobrir a cabeça o almofar, uma armadura de malha de ferro. Por cima do almofar usavam o elmo, que lhes cobria o rosto. O corpo era protegido por uma couraça, um gibão estofado tecido com tiras de couro cru preso à cintura, e por cima, uma túnica de triplo tecido reforçada com placas de ferro em forma de escamas de peixe e argolas de ferro que formavam uma malha. As pernas e mãos eram cobertas, também, por malhas de ferro e luvas do mesmo metal. Portavam fortes escudos ou adargas. Os cavalos eram cobertos por túnica de malha e paramentos de tela, testeiras e peitorais de ferro, que defendiam a cabaça e o pescoço do animal.

As armas ofensivas mais comuns eram a espada de duas mãos, o machado de guerra, a lança e a massa de madeira reforçada, com a cabeça guarnecida com pontas de ferro.