A Cavalaria Espanhola

A Cavalaria Espanhola teve o orgulho de ser por muito tempo uma das melhores do mundo em sua época, não só pelas inovações que realizava em sua organização e táticas, mas pela magnifica criação de cavalos que alguns de seus governantes organizaram.

A Cavalaria nasce como arma organizada na Espanha na época dos Reis Católicos, quando estes expulsaram os muçulmanos da Península Ibérica. Na Guerra de Granada participaram cerca de 10.000 cavaleiros, uma quantidade respeitável para a época.
Em 1493, com a criação das Guardas Velhas, se consolidou a base para a formação da Cavalaria Espanhola como corpo preponderante dentro do Exército Espanhol. Estas unidades deviam possuir 2500 cavaleiros, organizados em 25 companhias de 100 homens, sob o comando de um capitão. Cada homem possuía dois cavalos, estavam muito bem vestidos e eram armados com uma lança de armas de arandelas e riste, uma massa de armas, uma espada e escudo ou pavés. A Quinta parte de cada companhia era constituída de cavaleiros equipados com uma couraça, espada, punhal e balestra.
Durante algum tempo a Cavalaria Espanhola esteve organizada em “ Homens de Armas “ e por “ Cavalos Ligeiros “. Don Gonzalo de Córdoba, “ El Gran Capitán “, desenvolveu uma tática eminentemente defensiva, na qual a Arma de Cavalaria realizava unicamente missões secundárias, deixando de atuar de forma decisiva.
Nas duas grandes batalhas travadas naquela época, as de Ceriñola e Garellano, empregou-se de forma ofensiva e eficaz a Cavalaria Espanhola, cabendo a ela boa parte do triunfo dos espanhóis sobre os franceses.
Durante a evolução da organização da Cavalaria Espanhola existiram os “Estradiotes“, que tinham a missão de reconhecimento, a Cavalaria de Linha, a Cavalaria Ligeira e os Escopeteiros a Cavalo, que muitos historiadores consideram como os antecessores dos Dragões.
O Rei Carlos I organizava sua Cavalaria em Esquadrões, com 20 a 30 cavaleiros de frente e 15 a 20 em profundidade, com distancias e intervalos de três passos. Este dispositivo constituiu-se na causa das vitórias de Gravelinas e San Quitin.
Com o desenvolvimento constante das armas de fogo, os cavaleiros foram pouco a pouco tornando-se muito vulneráveis aos disparos dessas armas. Ao mesmo tempo, ressurgia a Infantaria, organizada nos famosos Terços de Flandres, invencíveis durante um século.
Durante os séculos XVI e XVII sobrevem a decadência da Cavalaria Espanhola, devido principalmente a problemas econômicos da Coroa Espanhola, ao despovoamento da Espanha em função das imigrações para a América e ao desdobramento de muitas unidades em diferentes partes do mundo, para garantir a segurança de suas possessões. Por estes motivos, houve necessidade de se recrutar soldados provenientes da Alemanha, da Itália e da Borgonha (arqueiros montados).
Alejandro Farnesio, que esteve sob o comando do Gran Capitán, efetuou o renascimento da arte da guerra na Espanha. Ele empregava sua Cavalaria organizada em Unidades do tipo Bandeira ou Companhia, principalmente em missões de reconhecimento e flanqueando o inimigo. Suas campanhas na França contra Henrique IV, o situaram entre os melhores generais de sua época.
No século XVII foi definida, perfeitamente, a divisão da Cavalaria em Pesada e Ligeira. A primeira estava organizada pelos “ Homens de Armas “, cobetrtos de armaduras e constituindo o corpo de batalha do centro e da reserva. A Ligeira, dividida em Estradiotes, Capeletes, Arqueiros, Arcabuzeiros, Escopeteiros a Cavalo e Herreruelos (nome derivado de uma capa curta ou esclavina) que também foram chamados de Pistoletes, porque usavam uma pistola longa ou tercerola de chave de roda, tinham por missão realizar o reconhecimento, formar os escalões de segurança e os postos avançados e , buscar o contato com o inimigo. Mais tarde, começou-se a substituir os arcabuzes por carabinas, organizando-se Companhias de carabineiros, invenção espanhola segundo alguns autores e que foi empregada pela primeira vez no Piemonte, para surpreender nos vilarejos as companhias de cavalaria inimigas, destacadas do grosso de exército.
Em finais do século XVII apareceram na Espanha os Dragões, sendo a primeira unidade criada em 1635, em Innsbruck. Esta Unidade era, segundo Clonard, uma Coronélia de 800 praças, mais tarde aumentadas para 1000 homens, formando-se com ela um Terço. O ARMAMENTO DOS Dragões era constituído de uma espada com caçoleta e um arcabuz curto. Levavam, também, uma marreta e uma estaca, na qual prendiam suas montadas quando combatiam a pé.
Antigamente tinha-se o costume de designar-se os regimentos pelo nome de seus coronéis ou pela cor de seus uniformes. Na Cavalaria as unidades possuíam estandarte vermelhos com as armas reais e seu emblema de guerra.
Os Dragões combatiam por meio da combinação do fogo e do movimento, ainda que em algumas ocasiões chegaram a realizar cargas de cavalaria.

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