A Cavalaria na Primeira Guerra Mundial

Durante a 1ª Guerra Mundial os combates a cavalo se reduziram consideravelmente. Desde os primeiros encontros em agosto de 1914, a cavalaria francesa sofreu, como todo o exército, a revelação brutal da supremacia do fogo, realizando, contudo, reconhecimentos bem sucedidos, que descobriram a presença do inimigo e fizeram numerosos prisioneiros, como o realizado a partir de 8 de agosto, quando o 23º Corpo recebeu ordem para internar-se na Bélgica, vindo a descobriu numerosas colunas inimigas, cujo movimento geral se realizou em 31 de agosto, dados de importância capital para o Alto Comando.

Com respeito à cavalaria alemã, tinha ordens de evitar a todo custo o combate, por esta razão, atuou uma única vez, contra um adversário em retirada no Sambre, na zona do Gran Morin.
O conflito, em determinado momento, se converteu em guerra de desgaste. O máximo emprego das armas de fogo , reforçadas por obstáculos artificiais, fez com que as frentes se estabilizassem, e por conseqüência, a cavalaria é organizada em unidades de Couraceiros o pé.
Em 1916 aparece o primeiro carro de combate, desenvolvido pelos ingleses. Com estes engenhos blindados a cavalaria começou a voltar às suas origens, demonstrando que era possível retomar-se a guerra de movimento. Embora alguns pensassem que somente com a aparição de uma nova Arma seria possível trazer para o primeiro plano a mobilidade na tática e na estratégia.
Ao impor-se o combate pelo fogo, a cavalaria incrementou sua valentia, confiando mais em seu coração. As batalhas foram travadas em frentes contínuas, desde os Vosges até o mar. Teoricamente havia passado a hora da cavalaria. Até que as posições inimigas fossem rompidas não haveria mais necessidade de empregar-se a cavalaria. Suas unidades passaram a combater a pé, algumas vezes constituindo ” grupos ligeiros “, que lembravam os Dragões de Baraguey de Hilliers. Em 1915 e 1916, a cavalaria, cedeu grande parte de seus efetivos para a infantaria.
As exigências de um campo de batalha de quatro anos fizeram a cavalaria passar a ser empregada como simples infantaria. È interessante observar que a aparição de Grupos Ligeiros e Regimentos de Couraceiros a pé, foram mais tarde integrados a todas as Divisões de Cavalaria. Era a volta aos “ soldados de cavalaria e dragões “, em vista das novas missões que a cavalaria poderia desempenhar nos campos de batalha, o que indubitavelmente, nos faz pensar na eventualidade de que o comandante se veria obrigado a “ montar ” estes sucessores dos Dragões.
Ao se organizar Grupos Ligeiros integrados por outras Armas, os Couraceiros a pé representavam uma solução de fortuna, nas quais a questão de efetivos e a camaradagem em combate eram fatores preponderantes. A auréola muito merecida que os rodeava, entretanto, não sobrepujou jamais a da cavalaria tradicional.
Durante o período 1915 – 1917, voltou-se a organizar, equipar e a instruir as Unidades de cavalaria a cavalo para o combate a pé pelo fogo. Em 1918 reapareceram as missões características da Arma : o reconhecimento, a segurança, a ação retardadora, o aproveitamento do êxito e a perseguição, particularmente nos momentos de crise, onde era necessário o sacrifício. O Alto Comando recorreu à cavalaria e a encontrou pronta, com os recursos que o momento o permitiam. Assim, se restabeleceram as Divisões de Cavalaria em Noyon, Moreuil Ailette e Flandres, Esquadrões Divisionários nos bosques de Villers Cotterets e em diversos outros pontos da frente. Em 11 de novembro, por fim, o clarim do armistício deteve a Cavalaria no momento em que iniciava a perseguição do inimigo, não somente como fizera a Brigada Ligeira de Lasalle e depois de Jena, mas sobretudo, pelo combate a pé, em ações sucessivas, como no tempo de Turena.
Cada país organizou sua cavalaria em diferentes tipos de Unidades. Assim, na Alemanha haviam os Couraceiros, Ulanos, Reitres (Saxônia), Dragões, Hussardos, Caçadores e Checeualers (Baviera). Na Áustria os Dragões, Hussardos e Ulanos. Na Itália os Lanceiros e Cavalegeri. Na Inglaterra os Couraceiros, Dragões, Lanceiros e Hussárdos. Na França os Couraceiros, Dragões, Caçadores, Hussárdos, Caçadores da África e Spahis. Na Rússia os Couraceiros, Dragões, Ulanos, Hussárdos e Cossacos.

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