Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque

Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
(1885 – 1959)
José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque nasceu em 12 de setembro de 1885, no município de Cabaceiras-PB. Ingressou no Exército como aluno da Escola Prática do Realengo em 1903. Militar de conduta ilibada, desde o início da carreira destacou-se pela energia realizadora que possuía. Estando realizando curso junto ao Exército Francês, quando da eclosão da 1ª Guerra Mundial, é voluntário para comandar frações de Cavalaria durante o conflito. Nessa ocasião, absorveu inovações doutrinárias e participou dos primeiros empregos dos carros de assalto Renault e Whippet. De volta ao Brasil, empenhou-se em convencer seus chefes militares da necessidade do Brasil entrar na era dos blindados. Escreveu o livro “Os Tanks na Guerra Européia”, marco da doutrina blindada brasileira. Foi designado comandante da primeira unidade blindada de nosso Exército, a Companhia de Carros de Assalto. Assumiu o comando da Escola Militar do Realengo em 1931, tendo papel fundamental na sua reestruturação e transferência para Resende-RJ. Implementou profundas mudanças na Escola, como a revitalização do título de Cadete e a criação do Espadim. Faleceu a 16 de agosto de 1959. Em sua homenagem, o 12º R C Mec (Jaguarão – RS) recebeu a designação histórica de Regimento José Pessoa.

Publicado no Noticiário do Exército (Brasília – DF – Ano XXXII – Nº 189 – Jul / Ago / Set 2006).

Marechal José Pessoa Cavalcante de Albuquerque idealizou a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e trabalhou incansavelmente por sua construção e para que ela adotasse essa denominação.

Nasceu em Cabaceiras (PB), em 12 de setembro de 1885. Foi aluno da Escola de Guerra de Porto Alegre (RS) de 1906 a 1909, quando foi declarado Alferes de Infantaria e de Cavalaria. Serviu em Unidades do Rio de Janeiro, da então Paraíba do Norte e de Salvador, onde foi instrutor militar na Faculdade de Medicina da Bahia e teve a oportunidade de combater o cangaço.

Em 1914, já transferido definitivamente para a Arma de Cavalaria, viu eclodir a Primeira Guerra Mundial. Em 1918, como 1º Tenente, realizou estágio na Escola Militar de Saint-Cyr e combateu no 4º Regimento de Dragões do exército francês, quando foi promovido ao posto de Capitão por bravura. Após a Guerra, realizou um curso na Escola de Carros de Versailles e escreveu o livro“O Tanque na Guerra Européia” (“tanque” é como eram chamados os carros de combate). Foi o organizador e primeiro comandante da 1ª Companhia de Carros de Assalto do Exército Brasileiro.

Serviu na Escola Militar do Realengo como Fiscal Administrativo nos anos de 1923 e 1924 e, logo depois, comandou o 1º Regimento de Cavalaria Divisionário. Quando irrompeu a Revolução de 1930, foi designado para comandar o 3º Regimento de Infantaria. De 1931 a 1934 comandou a Escola Militar do Realengo, implementando melhora considerável na formação do Oficial do Exército Brasileiro, que passou a ser embasada na educação física, na cultura geral científica e na preparação profissional rigorosa. Durante esse comando, idealizou a Academia Militar das Agulhas Negras, restabeleceu o título de Cadete, criou o Corpo de Cadetes, com estandarte e brasão próprios, e modificou regulamentos e uniformes.

A mudança da sede da Escola Militar para longe da então Capital Federal era fundamental para o Coronel José Pessoa. Depois de muita procura, a cidade de Resende (RJ) foi escolhida para abrigar a Instituição. No entanto, diversos problemas políticos e econômicos impediram a sua construção naquele momento histórico. Apenas em 1938 a cidade foi confirmada para receber a nova Escola Militar. O então General-de-Brigada, que desde 1934, comandava o 1º Distrito de Artilharia de Costa e fundara o Centro de Instrução de Artilharia de Costa (atual Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea), via seu sonho começar a se concretizar.

José Pessoa ainda serviu como Adido Militar na Inglaterra. Sua última comissão na ativa, recebida em 1948, foi a de comandante da Zona Militar do Sul.

Em 1949, deixou o serviço ativo. No ano de 1951, viu um dos seus maiores desejos realizado, quando a Escola Militar de Resende passou a chamar-se Academia Militar das Agulhas Negras.

Em 1955, a pedido do Presidente Café Filho, assumiu a presidência da Comissão de Planejamento e Localização da nova Capital Federal, desincumbindo-se com esmero de mais essa missão. Faleceu em 16 de agosto de 1959, após uma vida muito profícua.

O Marechal José Pessoa foi um militar além do seu tempo. Figura de estadista que idealizou a Academia Militar com a finalidade de entregar, ao Exército e ao Brasil, jovens oficiais bem preparados física, intelectual e moralmente. Seus ideais estão hoje personificados na honra e disciplina dos Cadetes da AMAN e cristalizados na mentalidade e nas atitudes dos integrantes da Força Terrestre.

José Joaquim de Andrade Neves

(1807-1869), Barão do Triunfo

José Joaquim de Andrade Neves (Rio Pardo, Rio Grande do Sul, 22 de janeiro de 1807 – Assunção, Paraguai, 9 de janeiro de 1869), Barão do Triunfo, grande general brasileiro comandante de uma das colunas do Exército brasileiro.

VIDA MILITAR DO GENERAL JOSÉ JOAQUIM DE ADRADE NEVES

Nasceu na vila de Rio Pardo, província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, a 22 de Janeiro de 1807, filho de major José Joaquim de Figueredo Neves e D. Francisca Thomásia de Andrade Neves.

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Marechal José Antônio Correa da Câmara

Visconde de Pelotas
(1824 – 1893)
“José Antônio Correa da Câmara nasceu em Porto Alegre – RS em 17 de fevereiro de 1824. Verificou praça como voluntário a 16 de setembro de 1839 no 3º Regimento de Cavalaria Ligeira em plena Revolução Farroupilha. Formou-se pelo curso de Cavalaria e Infantaria na Escola Militar do Rio Grande do Sul. Serviu no 2º Regimento de Cavalaria Ligeira sob o comando do então Coronel Manoel Luis Osorio. Já nessa ocasião, o Legendário se referia à Câmara como “chefe popular, integérrimo e digno que se ufana o Exército de possuir”. Participou da Guerra dos Farrapos, das Campanhas contra Oribe e Rosas e da Guerra do Paraguai. Foi graduado a Marechal em 1884. Na vida política, foi Senador, Ministro da Guerra, Presidente da Província e mais tarde Governador do Rio Grande do Sul. Sagaz abolicionista e republicano, foi o redator da Lei Áurea e grande apoiador do Marechal Deodoro por ocasião da Proclamação da República. Faleceu a 18 de agosto de 1893.”

Ten Gen Victorino José Carneiro Monteiro

Barão de São Borja
(1816 – 1877)

“Victorino José Carneiro Monteiro nasceu em 1816, na capital da Província de Pernambuco. Foi eleito Alferes por eleição popular após ter lutado voluntariamente na Revolução de Panelas e Jacuípe em sua terra natal. Em 1837 foi promovido pelo Governo a Tenente e depois Capitão. Expedicionou para o Rio Grande do Sul e durante a Revolução Farroupilha resistiu bravamente a um cerco feito pelos rebeldes. Participou de toda a Campanha do Estado Oriental do Uruguai, sendo condecorado com a Medalha de Ouro da referida campanha. Foi promovido a Tenente-Coronel e a Coronel por merecimento e passou a servir no 4º Regimento de Cavalaria. Em 22 de Janeiro de 1866 foi promovido a Brigadeiro. Fez toda a campanha do Paraguai, tendo tomado parte saliente em todas as grandes ações. Destaca-se sua atuação no dia 21 de outubro de 1867, quando comandou toda a força de Cavalaria em Tuiú-Cuê, transpondo um banhado, cortou a retaguarda das forças inimigas e a tropa a seu comando foi primeira a entrar no renhido e mortífero combate com o inimigo. Foi promovido a Marechal-de-Campo em 11 de Dezembro de 1867. Comandou o 2º Corpo de Exército até o final da Guerra. Foi agraciado com o título de Barão de São Borja em decreto de 18 de Maio de 1870. Em 1877 foi promovido a Tenente-General. Faleceu no dia 24 de outubro de 1877 em Porto Alegre.”

A história de um dobrado

No dia 27 de agosto de 1893, travou-se o combate de Cerro do Ouro, em São Gabriel. As tropas governistas comandadas pelo general Francisco Portugal, dirigidas por Gumercindo Saraiva. Os castilistas foram destroçados deste local do combate até a margem do Rio Vacacaí, a beira da cidade de são Gabriel, num percurso de mais de 40 quilômetros.

Todavia, de tudo que se tem escrito desse combate, raros são os que citam a Divisão do Exército, aliada dos legalistas, comandada pelo general Antônio Joaquim Bacellar, que amanhecera acampada a uma légua do local, na estância de Cerro do Ouro, à retaguarda do ataque das forças federalistas.

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Uma Canção da Cavalaria

Letra: Maj Otávio Mariate

Nós, guapos cavalarianos,
Somos marchando ufanos,
Na vanguarada a lutar,
Colhendo informações,
Pra dar aos outros escalões,
E, se o inimigo então vemos,
Fixar fá-lo-emos,
E, às vezes, recuar,
Até que chegue a Infantaria,
Que guardamos de dia,
Para a noite nos guardar!

Estribilho
Se o inimigo, em debandada,
Sente a derrota amaragada,
Engalopada,
Damos-lhe carga!
Nossa espada relapeja,
Como fuzilaria,
Na iminência da peleja.
Viva a audaz Cavalaria.

O nossso cavalo amigo,
Nunca teme o perigo,
Pois, só que avançar
Firme, sutil
E muito ardil
Para o inimigo esmagar!
No encarniçado entrevero,
Em que o desespero
Do inimigo se nota,
No corcel temos confiança
E, manejando a lança ,
Causamos-lhe a derrota.

Estribilho

Quando a nossa Artilharia,
Seus tiros irradia
Às hostis posições,
Qual réptil,
Com seu fuzil,
Ao forte ronco dos canhões,
Avança o infante temido
Para o assalto atrevido,
Com denodo e valor,
E a Cavalaria se atira,
Se o inimigo retira,
Cheio de ânsia e pavor.”

CRUZ, Otávio de Oliveira. Estrelas. 1937.

A NOVA CAVALARIA

Deve-se a Carlos VII , rei da França, o aparecimento da Cavalaria como Arma. Foi ele que, por volta de 1445, instituiu o primeiro exército permanente, constituído por duas Armas : a Cavalaria e a Infantaria.

Devido à evolução dos armamentos no final do século XV, começaram a aparecer unidades de cavalaria com armas de fogo, e no século seguinte a Cavalaria passa a ser constituída por três tipos de unidades : COURACEIROS (cavalaria pesada) , HUSSARDOS (cavalaria ligeira) e DRAGÕES (cavalaria apta a combater a pé  e a cavalo).
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A Cavalaria na Segunda Guerra Mundial

Existem idéias generalizadas de que a Cavalaria a cavalo não foi empregada na 2ª Guerra Mundial e que nas poucas ações conhecidas de forças montadas no período 1939 – 1945 seus resultados foram negativos. Nada é mais distante da verdade que tais afirmações. Se o blindado, a aviação, a artilharia e, mais tarde, as armas atômicas foram a chave do sucesso nos campos de batalha nos diferentes teatros de operações, não podemos menosprezar as ações realizadas por Unidades a cavalo na maior parte das campanhas conduzidas pelos principais países beligerantes. Não se pode negar, também, que as maiores potências militares da época estiveram influenciadas pelo desenvolvimento das forças motorizadas e blindadas, nas quais viam o substituto para a Arma que no passado, decidia as batalhas, a Cavalaria a cavalo, à qual foram relegando, aos poucos, um papel secundário e reduzindo suas unidades, sem entretanto dissolvê-la por completo, pois ainda visualizavam seu emprego em determinadas missões e tipos de terreno.

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A Cavalaria na Primeira Guerra Mundial

Durante a 1ª Guerra Mundial os combates a cavalo se reduziram consideravelmente. Desde os primeiros encontros em agosto de 1914, a cavalaria francesa sofreu, como todo o exército, a revelação brutal da supremacia do fogo, realizando, contudo, reconhecimentos bem sucedidos, que descobriram a presença do inimigo e fizeram numerosos prisioneiros, como o realizado a partir de 8 de agosto, quando o 23º Corpo recebeu ordem para internar-se na Bélgica, vindo a descobriu numerosas colunas inimigas, cujo movimento geral se realizou em 31 de agosto, dados de importância capital para o Alto Comando.

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